domingo, 9 de novembro de 2008

Greve de 1988 na CSN

Várias pequenas greves e todo um preparatorio desde 1984 precederam e serviram de base para a greve de novembro de 1988, que teve proporções gigantescas ficando para sempre como um marco histórico da CSN e da cidade de Volta Redonda com repercursões nacionais e internacionais.
A greve de novembro teve suas peculiaridades como sendo a greve mais longa até então e com uma participáção do movimento da massa liderado pelo sindicato.
A mobilização tinha por objetivo uma pauta de 10 reivindicações:

1. Reajuste salarial com base no DIEESE
2. Reposição salarial devido à inflação;
3. Estabilidade no emprego;
4. Jornada semanal de 40 horas;
5. Fim da "repressão" (perseguição) dentro da empresa;
6. Readmissão de demitidos no ano de 1987;
7. Isonomia salarial;
8. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes(CIPA) eleita pelos trabalhadores;

9. Reconhecimento dos representantes sindicais eleitos;
10. Divulgação do Sistema de Classificação de Cargos e Salários da empresa.

Após uma assembléia no dia 4 de novembro com mais de 8 mil trabalhadores, foi decidida a greve. Começa a paralisação na segunda-feira, no dia 7, uma Operação Arrastão termina parando os vários setores da CSN sem encontrar muita resistencia. Após um incidente com a PM no qual a polícia tentou impedir a entrada na usina do carro de som do sindicato, os trabalhadores tomam a empresa, ao que a direção da CSN solicita na Justiça a reintegração de posse e a intervenção do Exército procurando solucionar rapidamente a questão.
O Exército e a PM então, no dia 9 de novembro, dispersão violentamente uma concentração de populares em apoio aos grevistas, que se concentra no bairro Vila Santa Cecília, e invade a empresa, procurando retomá-la.
O exército, numa operação de guerra, invadiu a CSN, dispersando os operários com balas de verdade, bombas de gás lacrimogeneo e baionetas.Em meio à confusão, ocorre a morte de três operários: Carlos Augusto Barroso, de 19 anos; Walmir Freitas Monteiro, 27 anos; e William Fernandes Leite, 22 anos. Além dos mortos, cerca de uma centena de feridos completa o saldo final da greve naqueles dia.
Depois do ocorrido, os grevistas radicalizam o movimento, decidindo por mantê-lo até o dia 10. Ouve na época ameaça de fechamento da empresa.
O general José Luiz Lopez da Silva, que comandou as operações militares contra os grevistas, mesmo lamentando as mortes disse que elas deveriam “servir de exemplo”.
Durante os 17 dias da greve, houve todo o tipo de pressão e de ameça por parte da direção da empresa e do Governo.
No dia 22 de novembro, a população da cidade de Volta Redonda (cerca de 12 mil pessoas de mãos dadas), atendendo aos apelos de sindicalistas e de outros representantes da sociedade civil, dá um "abraço" simbólico em torno dos 12 quilômetros da usina, procurando mostrar apoio ao movimento.
Dois dias depois, após nova assembléia, os operários decidem pelo fim da greve, após o esgotamento do movimento e da repercussão internacional que ele havia atingido, devido a intervenção do Exército.
Após a conquista de parte das reivindicações e da eleição do presidente do sindicato e líder da greve na época, Juarez antunes, para a prefeitura de Volta Redonda, morto dois meses depois de sua posse, os trabalhadores ainda viriam a ter o monumento erguido em homenagem aos mortos de 9 de novembro, feito pelo arquiteto Oscar Niemeyer e que havia ocorrido no dia 1º de maio de 1989, implodido no dia seguinte à sua inauguração. Houve a eclosão de outras greves, não tão violentas.
Infelizmente em 1993 ocorreu a demissão de 70% dos funcionários da empresa e sua a privatização.



Referência Bibliográfica:

MONTEIRO, Geraldo. Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda
50 anos brasileiros, 1995

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Greve_de_1988. Acesso em: 07/11/2008


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Sem dúvida essa é uma data que de maneira nenhuma pode ser esquecida, a importância deste fato na história dos movimentos sindicais e da “cidade do aço” é indiscutível.
O que mais me chama a atenção quando se fala da greve de 1988 é a organização e solidariedade que prevaleceu naquela época, percebe-se que a população abraçou a causa operária e houve o apoio de diversos segmentos de movimentos sociais e também da Igreja Católica, tendo como liderança o bispo Dom Waldir Calheiros.
Ler sobre a greve, vê o documentário, entre outras formas de pesquisas me fizeram reativar uma esperança já corrompida com tantas coisas ruins na qual ando tendo contato ultimamente, o fato de praticamente toda a cidade se mobilizar, ter um ideal e lutar por ele ou então apoiar o ideal do outro (no caso dos não operários que participaram da greve) me deixa emocionada, é tão bonito saber que a cidade aonde eu nasci foi o berço desta história que repercutiu nacional e internacionalmente e que deve sem dúvida seguir de exemplo para os jovens e atuais funcionários da CSN.
Com isso chego a conclusão que se foi possível uma vez, porque não novamente? Sinto que o povo está machucado e que a melhor forma de tentar uma saída para essa dor é tentando resgatar a tradição de luta da nossa cidade, tradição essa que corre no sangue de todos os cidadãos volta redondenses, temos que conscientizar esse povo, os jovens precisam conhecer essa história e os mais velhos recordarem e por falar em conscientizarão política é incrível como a população antigamente era consciente de seus direitos e entendiam de política, mas com a globalização ao invés dessas idéias propagarem através dos meios de telecomunicações pelo mundo para a conquista de uma única nação a Internacional, o que ocorreu infelizmente foi uma forte corrente de alienação e dispersão das causas sociais.


6 comentários:

Feänor disse...

Eu confesso que não sabia disso... Não sei se é algo que eu deveria saber pelo colégio, mas sou muito relapso com história do Brasil.

Realmente, é comovente ver a mobilização de uma cidade em prol de uma minoria... Mas talvez isso de deva ao fato de que era uma população de número reduzido.

Isso tem importância na medida em que os laços entre os populares são mais firmes - há uma maior identidade da pessoa com seus concidadãos ao invés da pessoa com seu município.

Agora, fica mais difícil ocorrer este tipo de coisa... Vivemos em densidades demográficas tão absurdas e com rotinas tão mecânicas, alienantes e desgastantes que sequer percebemos o outro, senão como um obstáculo em nossa frente ao caminharmos pela rua.

Há um texto (na verdade um discurso proferido na qualidade de paraninfo de uma turma) que de certa forma ilustra o que quero dizer, do escritor americano David Wallace Foster (suicidou-se este ano). Deixarei o link aqui para você:


http://www.revistapiaui.com.br/edicao_25/
artigo_766/A_liberdade_de_ver_os_outros.aspx


E completo as palavras do texto com esta citação de Tocqueville:


“Cada pessoa, mergulhada em si mesma, comporta-se como se fora estranha ao destino de todas as demais. Seus filhos e seus amigos constituem para ela a totalidade da espécie humana. Em suas transações com seus concidadãos, pode misturar-se a eles, sem no entanto vê-los; toca-os, mas não os sente; existe apenas em si mesma e para si mesma. E se, nestas condições, um certo sentido de família ainda permanecer em sua mente, já não lhe resta sentido de sociedade.” Tocqueville

Em "O DECLÍNIO DO HOMEM PÚBLICO" – As tiranias da intimidade – de Richard Sennet.



E o infeliz resultado disso é que as pessoas apenas se juntam em torno de causas nas quais tenham interesse direto, ignorando aquelas em que apenas outras pessoas se beneficiariam, por mais justa que sejam.

Me lembra um poema atribuído ao pastor protestante Martin Niemoller, entitulado "First They Came", que fala dos nazistas mas cujas palavras se aplicam à própria psicologia humana contemporânea:




"Primeiro, eles vieram atrás dos comunistas.

E eu não protestei, porque não era comunista.

Depois, eles vieram pelos socialistas

e eu não disse nada, porque não era socialista.

Mais tarde, eles vieram atrás dos líderes sindicais.

E eu calei, porque não era líder sindical.

Então, foi a vez dos judeus.

E eu permaneci em silêncio porque não era judeu.

Finalmente, vieram me buscar.

E já não havia ninguém para protestar."



Mas não se engane, Nanda... O que eu mais quero é estar TOTALMENTE errado neste assunto! E que todos me provem com orgulho o quão tolo fui com estas palavras - como seria lindo esse dia!

Mantenha a esperança, é ela que nos faz lutar por um futuro melhor...

Beijos...

Karen Lima disse...

nooossa to de boca aberta aqui!
Não tinha idéia do assunto, realmente!
o tempo que perdi lendo, ganhei aprendendo! parabéns!

Vitor Oliveira Jorge disse...

Conhece o meu blogue?
Visite!
Vitor O. Jorge
--

Vítor Oliveira Jorge
Prof. Univ. Porto; investigador do CEAUCP
http://www.architectures.home.sapo.pt
http://configuracoes.planetaclix.pt
http://ia.regiaocentro.net/paginas/index.php?nIDpagina=14
blog: http://trans-ferir.blogspot.com/

Anônimo disse...

Gostaria de saber se as famílias dos que foram mortos na greve tiveram assistênica,se foram indenizadas. O que será que aconteceu com os familiares destas pessoas?

Nanda Kiedis Declama disse...

Bom anônimo vc poderia ter se identificado :s


Sinceramente no momento não sei responder a sua pergunta, mas buscarei descobrir.

Anônimo disse...

nao foram indenizadas.....entraram com açoes q tramitaram e foram julgadas improcedentes. sei pq trabalho na vara onde elas foram propostas. estou anonimo por motivos óbvios.